“Máquina pública inchada e a ética banalizada atrapalham o Brasil”, diz Sciarra

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terça-feira, 29 novembro, 2011
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Em palestra que fechou o VIII Ciclo de Estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), em Cascavel, o deputado federal Eduardo Sciarra (PSD) traçou um histórico dos partidos políticos no Brasil e relatou aspectos da criação do seu novo partido. “Lamentavelmente, a globalização e o exercício do Poder fizeram com que muitos partidos, quando no Governo, passassem a adotar práticas muito diferentes daquelas que defendiam quando na oposição”.

Numa alusão direta ao PT, o parlamentar acentuou que o partido, hoje governista, historicamente sempre praticou a democracia interna e que, para se manter no poder, tem abandonado essa prática. “Agora acabou até mesmo com as prévias para escolha do candidato a prefeito de São Paulo, impondo um nome através dos caciques partidários”, afirmou-se, referindo-se à imposição do ex-presidente Lula do nome do ministro da Educação, Fernando Haddad, como pré-candidato a prefeito paulistano.

De acordo com Sciarra, o PSD vai cumprir o caminho inverso, valorizando a democracia interna. O Partido, que foi criado no prazo recorde de seis meses, tem hoje a terceira maior bancada na Câmara, com 52 deputados titulares, atrás apenas do PT e do PMDB. Veja, abaixo, algumas das frases ditas por Eduardo Sciarra em sua palestra:

FRASES DE SCIARRA

“Os políticos têm ouvido cada vez menos o que a sociedade organizada pensa a respeito de tudo, inclusive a respeito da própria atuação da classe política”.

“Há um descrédito muito grande, mas ao mesmo tempo há também mais transparência, a sociedade começa a reagir. A Lei da Ficha Limpa, por exemplo, só foi aprovada devido à pressão popular, que impediu também o retorno da CPMF”.

“Hoje a sociedade cobra mais, exige, denuncia. E isso pode conduzir a uma postura mais ética da classe política”.

“No Governo Lula tivemos um grande retrocesso nas questões éticas, talvez tenha sido esse o fato mais negativo daqueles oito anos: a banalização da ética”.

“A impunidade é o pior dos exemplos. Os 40 réus do processo do Mensalão, por exemplo, muito deles ocupam cargos importantes, seja em comissão ou mesmo eletivo”.

“Lula, com todo o carisma que tem, poderia ter assumido e comandado as grandes reformas que o Brasil precisa, como a Reforma Tributária, Reforma do Estado, Reforma Política e Trabalhista.  Mas não teve coragem para isso, preferiu utilizar os problemas como moeda de troca”

“O Brasil tem hoje 39 Ministérios, com dois ou três tratando da mesma área e eu duvido que a Presidente da República lembre-se de cabeça os nomes de todos os seus ministros”.

“Há um oneroso inchaço da máquina pública, com gastos excessivos no custeio e manutenção, por isso falta dinheiro para investimentos em logística e infra-estrutura”

“O Brasil investe apenas 1% do seu PIB em infra-estrutura, metade pelo Poder Público, metade pela iniciativa privada. Outros países, como o Chile, a Índia e a China, investem muito mais e nós estamos perdendo espaço”.

“É um paradoxo: somos os mais produtivos no setor agropecuário, mas nosso custo logístico nos impede de sermos competitivos no mercado internacional”.

“Infelizmente muita gente está na política para fazer negócios e não para servir a sociedade”.

“Ainda assim sou um otimista em relação às transformações, a partir do momento que estamos vivendo hoje. Acredito que estamos próximos de uma ruptura em que a sociedade vai exigir o fim da impunidade”.

“Reconheço que houve avanços no Governo Lula na área de distribuição de renda, o que, aliás, começou no Governo FHC, com a estabilização da economia”.

“O Brasil se encaminha para ser a sexta economia do mundo, mas ainda temos que melhorar muito, sermos mais seletivos nos gastos, nas despesas”.



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