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Comentário do deputado Sciarra:
“O problema de fundo é o modelo do setor elétrico criado pela ex-ministra Dilma: o País tem a energia cara e a matriz brasileira está na contramão do mundo: uso cada vez menos energia limpa.”
Deu na Gazeta do Povo (14/06/10)
Apagões no ano passado superaram limite, diz Aneel
Foi a primeira vez que isso ocorreu desde a privatização. Especialistas apontam como causas as condições climáticas e o aumento no consumo
A qualidade da energia elétrica entregue aos brasileiros piorou em 2009 com o aumento de apagões em todo o país. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que, pela primeira vez desde a privatização, o número de horas que os consumidores ficaram sem luz superou o limite estabelecido para o período. O tempo médio subiu de 16,63 para 18,70 horas.
A deterioração começou a ser desenhada em 2008 e se aprofundou em 2009 com o apagão de outubro, que atingiu 18 estados. Além disso, a sequência de desligamentos regionais contribuiu para elevar o indicador. Em várias regiões, o movimento se repetiu no primeiro trimestre.
As empresas, distribuidoras e transmissoras, atribuem o resultado às condições climáticas. Como a maior parte da rede é aérea, os fios são atingidos por raios e queda de árvores. Outra explicação está na alta do consumo residencial acima do previsto. Nos últimos 5 anos, o uso de energia por esses clientes cresceu quase 30%. Só em 2009, o avanço foi de 6%, reflexo também dos incentivos dados pelo governo para a venda de eletrodomésticos durante a crise.
Sem imposto, os produtos ficaram mais acessíveis. Isso elevou o consumo desses bens e da eletricidade. Para alguns especialistas, porém, o aumento dos apagões está diretamente ligado ao volume de recursos aplicados na manutenção e operação da rede.
Embora o volume de investimentos nos últimos anos tenha alcançado cifras elevadas – R$ 43 bilhões entre 2002 e 2008 –, isso não significa que foi suficiente para atender ao crescimento do mercado, diz o professor Nivalde Castro, do Grupo de Estudo do Setor Elétrico da UFRJ. Uma das explicações é que a conta investimentos inclui todos os tipos de projetos, desde obras na rede, universalização dos serviços, até melhorias internas, como mudanças em sistemas de informática. O consultor Abel Holtz acrescenta que, após a privatização, as companhias tiveram de recuperar anos de “quase” abandono da rede, o que exigiu mais investimentos.
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