Breque no gasto público

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sexta-feira, 10 dezembro, 2010
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Comentário do deputado Sciarra:

“Nem com todas as manobras contábeis, o governo conseguirá fazer o superavit de 3,3% do PIB.”

Deu no Correio Braziliense (10/12/10)

Breque no gasto público

Depois de inflar o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, quando o seu consumo cresceu 1,9% ante os primeiros três meses do ano, o governo botou o pé no freio. Entre julho e setembro, a participação da administração pública na geração das riquezas nacionais foi nula, quando comparada ao trimestre imediatamente anterior. O resultado foi visto com alívio pelos analistas, que temiam pelos efeitos nocivos na economia da gastança governamental.

O fato de o consumo ter apresentado variação zero no terceiro trimestre — quando os desembolsos somaram R$ 184,6 bilhões — não deve ser visto, porém, como uma demonstração de austeridade fiscal. “Os gastos governamentais foram concentrados no primeiro semestre, quando o objetivo foi incentivar a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Portanto, a variação zero em um trimestre não pode ser vista como uma efetiva redução das despesas”, disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal.

Além da gastança eleitoral no primeiro e no segundo trimestres de 2010, o governo contratou uma grande número de servidores, reajustou salários e se comprometeu com desembolsos diversos para investimento, como por exemplo, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No terceiro trimestre, com o Orçamento já comprometido e o ajuste fiscal maquiado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o jeito foi controlar o caixa.

Para Leal, o que vai determinar se o governo realmente está disposto a colocar o pé no freio é o comportamento dos superavit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública). O economista-chefe do SulAmérica Investimento, Newton Rosa, concorda. “ No superavit primário, o esforço fica muito mais claro, pois, no PIB, o que se mede é quanto o governo contribuiu para o crescimento da economia”, disse.

O mercado está de olho no Orçamento de 2011 e no reajuste do salário mínimo. “ Se o valor do salário mínimo extrapolar muito o que determina a regra atual, a administração Dilma Rousseff terá que encontrar uma boa justificativa para que o mercado não interprete isso como um sinal negativo”, ponderou Leal.

O economista explicou que o que vem deixando os investidores preocupados em relação ao resultado fiscal é saber quanto, de fato, será a economia para o pagamento de juros no próximo ano. Em 2010, mesmo com todas as manobras contábeis, o governo não conseguirá fazer o superavit primário esperado, de 3,3% do PIB.



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