Copel: o longo caminho da recuperação

  • Tamanho da letra
segunda-feira, 26 abril, 2010
  • 0
  • comentarios
Compartilhar

Tag:

O grande desafio dos paranaenses será reconstruir a Copel, recuperar a sua eficiência, capacidade de investimento e o prestígio. O caminho da recuperação poderá ser longo e difícil, mas, o futuro do nosso desenvolvimento e avanço social depende de nossa capacidade de reinventar a Copel.  A companhia já foi o orgulho do povo paranaense. Durante anos foi considerada e eleita a melhor empresa de energia do Brasil. Mas tudo isso começou a se alterar profundamente a partir do ano de 2003, com a mudança de comando e de orientação imposta pelo agora ex-governador Roberto Requião.

O primeiro ataque contra a instituição Copel – que atingiu em cheio a sua credibilidade – foi a maquiagem do balanço financeiro do ano anterior. Manchetes oficiais davam conta de um prejuízo milionário, informação que o próprio balanço da companhia desmentiu quando da sua publicação meses depois. Em 2002, o superávit financeiro da Copel foi de R$ 598 milhões contra um “prejuízo” de R$ 320 milhões, alardeado pela propaganda oficial.

O modelo de gestão da empresa, que havia sido modernizado, retroagiu por determinação governamental.  Requião conseguiu ressuscitar a estrutura administrativa dos anos 80, absolutamente anacrônica e completamente desvinculada da realidade imposta pela nova legislação do setor elétrico.

O reflexo disso foi o engessamento da empresa, com a concentração de poder e de decisões, desrespeitando o seu qualificado corpo técnico e impedindo o seu crescimento. Como decorrência dessa visão ideologizada, a falta de investimentos fez deteriorar progressivamente a qualidade da energia entregue ao consumidor paranaense, o que levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a autuar e multar repetidamente a Copel pela perda de qualidade, tornando a outrora empresa modelo na atual recordista de penalidades, com multas que beiram os R$ 50 milhões de reais. Para remediar parcialmente esta situação a empresa teve que se submeter a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Não bastassem as multas por perda de qualidade, a Copel também foi autuada pela ANEEL por uso indevido do dinheiro da concessão para fazer propaganda política do governo Requião.

O autoritarismo fez com que a Copel assumisse um grande passivo jurídico que sangrou os cofres da empresa. Desrespeito a contratos vigentes, decisões unilaterais e de fundo político, perseguições insanas. Tudo isso, que os analistas de mercado e investidores nacionais e internacionais definiram como “risco Requião”, gerou um passivo que com certeza levará alguns anos para ser sanado.

A capacidade de investimento da Companhia Paranaense de Energia Elétrica foi reduzida. Aliada a esse problema veio a decisão política de impedir que a empresa participasse de investimentos em parceria com a iniciativa privada. A única possibilidade aberta pela “ditadura” de então era quando a Copel fosse majoritária no negócio. Isso afastou parceiros, derrubou o valor da empresa no mercado e deixou a Copel a pé na corrida energética, enquanto outras empresas buscavam sua expansão na velocidade da luz. Prova disso está na avaliação feita pelo banco de investimento americano JP Morgan em 2009, segundo o qual Copel e Cemig tinham o mesmo valor de mercado em 2002, mas depois dessa catástrofe de gestão, a companhia mineira vale hoje duas vezes mais que a nossa Copel. Exemplo disso está na política de expansão da Cemig, que recentemente comprou participação em várias empresas do setor. Se, em relação ao Porto de Paranaguá, Requião foi o melhor governador para Santa Catarina, no caso da Copel, ele foi o melhor governador para Minas Gerais.

A Copel, além de patrimônio dos paranaenses, é uma empresa com ações em bolsas internacionais, devendo seguir à risca os princípios da boa governança corporativa. Retomar esses princípios é o início e condição indispensável para sua recuperação. Aos paranaenses em geral e aos copelianos em particular resta esperar que em um futuro breve a companhia possa recuperar a sua capacidade de crescimento e continuar sendo motivo de orgulho para todo o estado do Paraná.

* Eduardo Sciarra é engenheiro civil, deputado federal e foi presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Infraestrutura Nacional.



Posts Relacionados

  • PAC da Copa

    #PARANÁ

    Comentário do deputado Sciarra: "As obras do PAC estão sempre atrasadas. Espero que em Curitiba, contando com a Prefeitura, não ocorra a mesma coisa." Deu no Documento Reservado (27/09/10) PAC ...

    • 0
    • comentarios

  • E-mails revelam envio de dinheiro ao exterior

    #PARANÁ

    Comentário do deputado Sciarra: "Há ainda muito a ser investigado. Todos culpados sejam punidos. Mesmo ocorrendo as punições devidas, quem pagará o grande prejuízo e atraso que o setor produtivo paranaense (e mesmo de todo o ...

    • 0
    • comentarios

  • Secretaria dos Portos pode intervir em Paranaguá

    #PARANÁ

    Comentário do deputado Sciarra: "Razões técnicas e objetivas para intervenção federal no Porto de Paranaguá existiram desde o início da gestão temerária do ex-governador Requião. A intervenção só não ocorreu porque o ...

    • 0
    • comentarios



Comentário

Deixe seu Comentário

Preencha com seus dados:









Comentário