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Comentário do dep. Sciarra:
“Se não aumentar os juros, o Banco Central ficará desmoralizado, perderá a credibilidade. Se não aumentar, a inflação ameaça sair do controle.”
Deu na Folha de S. Paulo (19/04/10)
Decisão técnica pressiona Copom
Fernando Rodrigues
Eduardo Campos
O encontro que o Comitê de Política Monetária (Copom) terá nos dias 27 e 28 de abril não será só uma reunião para decidir o rumo da política monetária. O que está em pauta na visão de alguns agentes é o comprometimento com o sistema de metas de inflação. “Se não vier um aumento mais forte que meio ponto, o BC vai deixar a dúvida se está seguindo fielmente o modelo de metas”, avalia o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho. Segundo o economista, se levarmos em conta os últimos indicadores de demanda e inflação, o modelo sugere uma alta mais acentuada na taxa básica de juros. Então, tecnicamente falando, seria impossível justificar um ajuste de 0,5 ponto. Ainda de acordo com Velho, a recente puxada de alta nos contratos futuros mostra que o mercado cobra uma postura afirmativa do Banco Central de que suas decisões são técnicas. “O BC tem que mostrar que responde de forma técnica.”
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, aponta que a confusão política na qual o presidente do BC, Henrique Meirelles, se meteu cria espaço para que qualquer decisão diferente do Copom seja vista como algo favorável ao governo. Vale aponta que presidentes de BCs de países como EUA, Japão e Europa nunca discutem tendências políticas. ” Isto posto, o último bastião de credibilidade que restava no governo Lula poderia começar a diminuir de tamanho ” , escreveu o economista no Comentário Quinzenal de Conjuntura da MB Associados divulgado na sexta-feira.
A questão aqui, diz Vale, é que a autoridade monetária dispõe de todos os argumentos técnicos para mudar seu plano de ajuste de 0,5 ponto para 0,75 ponto percentual. ” Mas não descarto o ajuste de meio ponto por causa dessa confusão política ” , pondera o economista. Vale diz que prefere um BC mais ousado, subindo a Selic em 1 ponto percentual, pois com esse movimento ele forçaria as expectativas de inflação para baixo e acabaria com qualquer dúvida sobre seu modo de atuação.
Fazendo um contraponto à visão de aperto mais acentuado nos juros, o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, defende sua aposta de alta de meio ponto percentual na Selic. Segundo Petrassi, os indicadores de demanda realmente vieram mais fortes, mas falta saber melhor como está o comportamento da inflação. ” Os dados da semana serão determinantes para a decisão do Copom ” , afirma. Na visão do gestor, se o IPCA-15, IGP-M e IPCs semanais mostrarem uma redução consistente da inflação, o mercado recua um pouco da ideia de ajuste mais acentuado. Se o caso não for esse, diz Petrassi, o aumento de 0,75 ponto é dado como certo.
No câmbio, a piora generalizada de humor depois da denúncia contra o Goldman Sachs facilitou o trabalho do BC, que não precisou entrar duas vezes no mercado à vista, na sexta-feira, para conter, suavizar ou mesmo absorver fluxo de moeda, dependendo da teoria adotada. O fato é que na quinta-feira, dia 15, quando o BC fez os dois leilões no pronto, os investidores estrangeiros ampliaram sua posição vendida em dólar futuro mais cupom cambial em US$ 1,15 bilhão, com isso, o estoque de apostas pró-real atingiu US$ 3,61 bilhões, a maior desde 4 de agosto de 2008, quando a soma era de US$ 4,58 bilhões. Pena que esses números foram conhecidos apenas na sexta-feira. Uma curiosidade: o BC não fazia duas compras no mesmo dia desde o dia 13 de julho de 2007 e foi neste mesmo dia que foi registrada uma das maiores posição vendidas de estrangeiros, singelos US$ 10,32 bilhões.
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