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Comentário do deputado Sciarra:
“As contas externas e a saúde fiscal de um país devem permanecer sob estrita vigilância. O descontrole traz prejuízos a longo prazo e a recuperação só pode ser feita com muito sacrifício da população. O déficit das contas externas é um sinal de alerta sério. O caminho é o corte de gastos públicos, a começar pelos de custeio.”
Deu no O Globo (23/04/10)
Déficit nas contas externas é o maior desde 1947
Saldo negativo de US$ 12,1 bi no 1o- trimestre foi puxado por aquecimento econômico. Analistas não veem risco
Devido à forte atividade econômica — que fez crescer as importações, as compras de serviços com viagens e as remessas de lucros —, o Brasil fechou o primeiro trimestre de 2010 com déficit recorde nas transações correntes — registro de operações do país com o exterior, como balança comercial e investimentos estrangeiros diretos. De acordo com o Banco Central (BC), o saldo ficou negativo em US$ 12,145 bilhões, o maior desde 1947, quando teve início a série histórica da autoridade monetária.
O BC, porém, não está preocupado.
Segundo o chefe do Departamento Econômico da instituição, Altamir Lopes, o rombo continua sendo financiado pelos investimentos produtivos (IED) e em carteira.
— O resultado é transitório, que ocorre no curto prazo.
Balanço de pagamentos deixou de ser um problema — disse Lopes, acrescentando que prevê que a conta volte ao azul a partir de 2012.
Analistas concordam que o risco não é grande e veem o cenário como fruto de uma atividade econômica aquecida. O mercado, segundo a pesquisa Focus do próprio BC, prevê que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) será de 5,8% neste ano. Para o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, com a atividade aquecida, as importações crescem para atender à demanda interna: — O déficit em conta corrente no Brasil reflete, no fundo, uma economia que cresce muito forte.
Em março, o déficit em transações correntes foi de US$ 5,067 bilhões, cerca de US$ 3,5 bilhões a mais do que em igual período de 2009. A estimativa para abril é de um saldo negativo de US$ 4,8 bilhões. No mês passado, as remessas de lucros e dividendos contribuiriam com mais força para o resultado, com saídas de US$ 2,509 bilhões. Nos três primeiros meses do ano, elas chegaram a US$ 4,586 bilhões e, em abril, até ontem, eram US$ 2,129 bilhões.
Já o pagamento de juros em março ficou em US$ 582 milhões (US$ 3,053 bilhões no trimestre), enquanto os gastos com viagens internacionais chegaram a US$ 543 milhões, acumulando US$ 1,685 bilhão no trimestre. Em abril, até ontem, os gastos líquidos já chegavam a US$ 451 milhões. Lopes, do BC, disse que, com maior renda e emprego nos últimos anos, o brasileiro tem viajado mais para o exterior.
Fluxo cambial fica negativo entre 1 e 19 de abril
Já a balança comercial obteve superávit de US$ 668 milhões no mês passado, acumulando no trimestre US$ 892 milhões de saldo. Em igual período do ano passado, o superávit comercial era de US$ 2,988 bilhões.
Os investimentos estrangeiros diretos (para o setor produtivo) fecharam março com entrada líquida de US$ 2,018 bilhões, sendo US$ 5,656 bilhões no trimestre. Já os investimentos em carteira chegaram a US$ 3,649 bilhões no mês e, no trimestre, US$ 9,328 bilhões. Somados, esses desembolsos chegaram a US$ 14,984 bilhões, financiando o rombo na conta corrente.
Já o fluxo cambial, entrada e saída de moeda estrangeira do país, ficou negativo em US$ 934 milhões entre os dias 1º e 19 passados, segundo o BC. O mau resultado veio da balança comercial que, no período, registrou déficit de US$ 2,105 bilhões, com exportações de US$ 5,742 bilhões e importações de US$ 7,847 bilhões.
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