Em Capanema, moradores intensificam defesa da estrada-parque

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terça-feira, 29 novembro, 2011
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Cerca de 400 pessoas participaram na tarde de sexta-feira (25) da
audiência pública realizada na Casa da Cultura de Capanema, no Sudoeste do
Paraná, para debater o projeto de Lei do deputado federal Assis do Couto
(PT) criando a Estrada-Parque “Caminho do Colono”, trecho de 17,5
quilômetros que corta o Parque Nacional do Iguaçu e que se encontra sob
interdição judicial desde 1986. “A casa cheia mostra a importância deste
tema para as populações do Oeste e Sudoeste do Paraná”, afirmou o deputado
federal Eduardo Sciarra (PSD), presidente da Comissão Especial criada pela
Câmara para aprofundar os debates em torno do assunto.

Além de Couto e Sciarra, estiveram presentes os deputados federais Moacir
Micheletto, Alfredo Kaefer, Dilceu Sperafico e Nelson Padovani, relator da
Comissão. A Assembleia Legislativa do Paraná estava representada pelos
deputados estaduais Nelson Luersen, de Planalto, e Luciana Rafagnin, de
Francisco Beltrão.

O traçado da antiga “Estrada do Colono” existe desde séculos atrás, com
relatos de passagens de personagens como o espanhol “Cabeza de Vaca”,
descobridor das Cataratas do Iguaçu, e posteriormente de indígenas. No
início do século XX serviu de passagem para a famosa Coluna Prestes e
depois foi largamente utilizada, durante décadas, pelos colonizadores de
ambas as regiões paranaenses. Acabou fechada no final dos anos 1990 por
ação do Ministério Público e sob pressão de ambientalistas e Organizações
Não Governamentais.

DIREITO
“É muito fácil defender o meio-ambiente em salas refrigeradas, com apoio
da grande mídia e distante da realidade regional”, observou o juiz de
Direito da Comarca de Capanema, Márcio Geron. Para ele, “defender a
estrada-parque é defender aquilo que é garantido por Deus aos homens e
também pela nossa Constituição Federal”.

O magistrado lembrou que “buscar a felicidade, o conforto e a vida são
direitos legítimos do povo, que neste caso, através de seus
representantes, age de forma pacífica em uma questão que deve ser tratada
com diálogo, no campo político”. Dirigindo-se aos deputados federais
presentes , o juiz afirmou que “os senhores estão recuperando uma ligação
histórica rompida por um ato de violência da grande mídia e dos
ambientalistas de conveniência”.

SOCIEDADE ORGANIZADA
Durante a audiência, falaram representantes de mais de uma centena de
entidades organizadas do Sudoeste, todos a favor da reabertura do trecho
como forma de preservar o meio ambiente e promover a interação da
população do entorno com o Parque Nacional. “Trata-se de lutar pelo nosso
direito constitucional de ir e vir, que não pode ser negado por meia dúzia
de burocratas do Rio, São Paulo ou Brasília” afirmou o deputado Moacir
Micheletto, acentuando que “na Argentina, por exemplo, o mesmo Parque é
aberto à população”.

O autor do projeto de lei, deputado Assis do Couto, reforçou que “todo
este esforço parlamentar significa uma luta para pagar a dívida que o
Estado brasileiro tem com as populações do Oeste e Sudoeste do Paraná”.
Segundo ele, “o que se propõe é utilizar o traçado original de uma estrada
que existia muito antes do Parque ser criado, adotando todos os cuidados
ambientais possíveis”.


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