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Comentário do deputado Sciarra:
“Em razão da gravidade desta doença, apresentei em 2008, o PL-4514/2008 que dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos aos portadores de Hepatite C, a exemplo do que já ocorre com outras doenças graves. O projeto está tramitando na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara.”
Deu na Gazeta do Povo 22/07/2010
Governo amplia direito à vacina da hepatite B
Profissionais que têm contato com sangue, gestantes, travestis, lésbicas e portadores de DSTs serão imunizados
O Ministério da Saúde aumentou o número de grupos que têm direito à vacina gratuita contra hepatite B pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Antes restrita a recém-nascidos, crianças, adolescentes com até 19 anos e homossexuais homens, agora podem ser imunizados os profissionais que exercem atividades de risco (em contato com fluidos e sangue, as principais vias de transmissão do tipo B da doença), como manicures, pedicures, tatuadores e podólogos, além de gestantes, mulheres que fazem sexo com outras mulheres, travestis, portadores de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e populações de assentamentos e acampamentos. Os locais onde serão ofertadas as doses também foram ampliados – são 60 mil novos pontos de vacinação. Até então, só era possível obter o imunizante em centros de referência.
A medida, que pretende prevenir o aumento do número de casos da doença, que ataca o fígado e pode causar câncer a partir de lesões no órgão, aumentou a demanda por doses da vacina – foram 18 milhões a mais, além das 15 milhões encomendadas todos os anos ao Instituto Butantã, em São Paulo. “Estamos aumentando gradativamente a população atendida e a ideia é tornar a vacinação universal”, afirmou Ricardo Gadelha, coordenador de hepatites virais do Ministério da Saúde. Atualmente, há vacina para dois tipos de hepatite, A e B, mas apenas a segunda está disponível via SUS. A primeira só pode ser adquirida em clínicas particulares. Para os demais tipos, C, D e E, não há imunizante.
Kit próprio
Cientes da maior exposição à doença por causa da profissão, pedicures e manicures já começam a adotar procedimentos que ajudam a evitar o contágio. Além da vacina, que em muitos locais já é pré-requisito para a contratação, a esterilização dos instrumentos de trabalho, como alicates de cutícula e espátulas, tornou-se obrigatória, com direito a perguntas dos próprios clientes. No Salão Marly, no Batel, com 90 manicures – cada uma dona de cerca de 25 alicates – há uma sala própria para esterilização, onde os instrumentos são lavados com água e sabão e esterilizados em uma estufa a 170°C, por uma hora, após cada uso.
Por enquanto, o maior desafio é fazer com que cada cliente traga seu kit individual, com toalha própria, espátula, algodão e esmalte. “A maioria não traz, mas aqui tudo é individual. E eu sempre lavo as mãos após cada atendimento, e também uso álcool 70”, garante a manicure Elenilda Martins. Já a colega Laís Silva confessa: “Com a correria, nem sempre dá para lavar as mãos. Mas eu me cuido para não tirar ‘bife’ e sempre troco as toalhas”.
Prevenção e diagnóstico do tipo C são desafio
Mais exames, maior divulgação e ampliação do direito à biópsia. Esses são os maiores desafios dos portadores da hepatite C. Como não há vacina para esse tipo da doença, especialistas apontam que a informação é a maior aliada na prevenção. Os testes para detectar o vírus também são essenciais, mas, de acordo com a voluntária da Associação de Apoio aos Portadores de Hepatite C do Estado do Paraná (Aphecpar), Maria do Carmo Amaral, ainda são poucos os médicos que sugerem o teste aos pacientes. “Há pessoas que passam anos com o vírus e, quando descobrem a doença, ela já se tornou crônica e é preciso tomar remédios caros, com efeitos colaterais gravíssimos ou então entrar na fila do transplante de fígado”, diz. Por fim, a biópsia é apontada como a forma mais eficaz de detectar o estágio de deterioração do fígado. No Paraná, em 2009, foram registrados 832 casos de hepatite C. Em 2010, já são 380 notificações.
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