Os desvios de cargas (e de condutas) no Porto de Paranaguá

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quinta-feira, 7 outubro, 2010
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Comentário do deputado Sciarra:

“Faltam poucas semanas para que o porto de Paranaguá saia deste estado de verdadeira calamidade pública para entrar numa nova era. Sempre fui um defensor de uma gestão profissional no nosso porto. Defendi este ponto de vista junto ao então candidato e hoje governador eleito Beto Richa. Vamos trabalhar muito para recuperar os 8 anos de bagunça patrocinada pelo governo de TRoberto Requião. Vamos transformar essa herança maldita deixada por ele em algo positivo e produtivo. O porto de Paranaguá merece respeito.”

Deu na Gazeta do Povo (07/10/10)

Celso Nascimento

Os desvios de cargas (e de condutas) no Porto de Paranaguá

Demorou mas, enfim, a polícia botou a mão sobre o esquema de desvio de cargas no Porto de Paranaguá que importadores europeus vinham denunciando a organismos internacionais desde pelo menos 2008. A Operação Colônia lançada pela Polícia Federal, com a participação do Ministério Público Federal e da Receita, prendeu ontem 63 dos 121 identificados como participantes das fraudes. Além do Paraná, a operação abrangeu também os estados de Santa Catarina e São Paulo.

O cerco vinha se fechando desde que surgiram as primeiras denúncias. Grandes importadores de grãos embarcados em Paranaguá vinham notando a frequência com que as cargas que recebiam na Europa apresentavam volumes inferiores às suas aquisições. As margens admissíveis de “quebra” eram sempre ultrapassadas.

Segundo informações da PF, somente este ano 2 mil toneladas de produtos teriam sido desviadas por seis quadrilhas que atuavam em Paranaguá. Entretanto, fontes extraoficiais dizem que esse volume representa apenas a pontinha do iceberg. Fazem contas para sustentar sua suspeita: o porto exporta anualmente perto de 15 milhões de toneladas de granéis sólidos (soja, milho, farelos…). Num volume tão alto, acusar a falta de 2 mil toneladas é impensável, pois a quebra estaria muito abaixo do tolerável (e “denunciável”) pelas vítimas.

Também pelo número de pessoas envolvidas no esquema e em razão da complexidade das operações de desvio e recolocação das mercadorias em outros mercados (São Paulo, principalmente), 2 mil toneladas significariam um ganho insignificante, dizem as mesmas fontes. Lembram também que um só navio carrega 60 mil toneladas de grãos. Logo, são necessárias centenas de navios para transportar o volume total embarcado em Paranaguá.

O grande prejuízo, no entanto, não diz respeito apenas às cargas desviadas. O pior é a queda de confiança e do conceito internacional do porto. Isto tem um preço: produtos embarcados em portos eficientes, rápidos e confiáveis, conseguem cotação melhor do que aqueles que saem de portos sem prestígio. A isto se dá o nome de “prêmio”.

No caso do Porto de Paranaguá, o “prêmio” tem sido negativo: os importadores pagam menos pela saca de soja que sai por ele do que por portos mais confiáveis. Se pagam menos, os produtores rurais também recebem menos – um prejuízo que, considerando-se o volume, pode ascender a milhões de dólares para a economia paranaense.

Colocando tudo na balança

Esses problemas já eram de conhecimento há muito tempo da administração portuária, embora não tivessem sido tomadas medidas corretivas. Somente agora, passada a administração do governo Roberto Requião – que deixou o por to ao encargo do irmão Eduar do por sete anos –, é que providências passaram a ser adotadas.

Por exemplo: a Receita Federal passou a fazer parte da administração portuária para melhor fiscalizar todas as operações do terminal, especialmente em relação ao controle das balanças. Em ação conjunta com a administração estadual, a Receita Federal baixou em agosto último a Portaria 57. O documento impõe rigorosa liturgia visando a coibir fraudes, uniformizar procedimentos e controlar a movimentação de granéis sólidos destinados à exportação dentro da jurisdição da Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Paranaguá.

A portaria determina regras rígidas de movimentação e pesagem de mercadorias; fiscalização e aferição permanente de balanças em todo o trajeto – do descarregamento dos caminhões nas moegas até o embarque final nos navios.

Cercas, muros, portões lacrados, câmeras de vídeo e outros aparatos deverão ser instalados para evitar o “desaparecimento” de produtos. A emis são de relatórios eletrônicos em cada uma das etapas também passou a ser uma das exigências ins critas na portaria. Desses relatórios, deverão constar a numeração de lotes, horários de carga e descarga, sequência, data, hora, minuto, tara, peso bruto, subtotal acumulado.



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