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Comentário do deputado Sciarra:
“Não é razoável que o Brasil continue dependendo tanto da importação de trigo, quando o governo deveria apoiar e criar condições para o aumento da produção interna: gera empregos, renda e diminuiria a dependência externa.”
Deu no Valor Econômico (19/08/10)
Perduram as turbulências no mercado de trigo
A quebra da produção de trigo na Rússia e em outros países europeus continua a provocar turbulências e fortes oscilações de preços no mercado internacional e a alimentar expectativas e incertezas em outros exportadores como a Argentina e em países importadores como o Brasil, que abastece mais da metade de sua demanda doméstica com cereal de fora.
Apesar do nervosismo, ainda prevalece entre analistas a convicção de que o quadro global de oferta e demanda da commodity é mais confortável do que entre 2007 e 2008, quando as cotações, também impulsionadas por apostas especulativas, chegaram às alturas e ajudaram a alimentar uma “agroinflação” mundial com reflexos negativos principalmente em países menos desenvolvidos.
Não é por isso, contudo, que os produtores argentinos deixaram de pedir ao governo uma ampliação de 100% na cota oficial de exportações, que assim chegaria a 6 milhões de toneladas este ano. O ministro da Agricultura do vizinho, Julián Domínguez, já sinalizara essa possibilidade desde que a safra local fosse suficiente para garantir as 6,5 milhões de toneladas consumidas no país, segundo informou a Bloomberg. Mas, agora, o movimento ganhou fôlego.
Também os moinhos instalados no Brasil já reajustaram a farinha de trigo para cima para tentar recompor suas margens, o que colocou em xeque as projeções que indicavam quedas de preços domésticos nesse mercado. “Passamos a ter uma pressão de alta que não havia antes”, concorda Renata Alves, analista setorial da consultoria Lafis.
Renata ressalva que nem todos os derivados subirão por causa disso, mas, como já informou o Valor, as massas, por exemplo, ainda deverão ficar mais caras. Antes da crise deflagrada pela quebra da produção global, a Lafis estimava para 2010 uma redução de quase 6% dos preços da farinha de trigo no país em relação ao ano passado, em parte em virtude de um previsto aumento da produção local.
A projeção da Lafis para as cotações internacionais também era de baixa na comparação com 2009, mas, em meio às turbulências, a valorização resiste. Na bolsa de Chicago, uma das principais referências para o comércio do cereal mundo afora, a alta de ontem – a primeira após três sessões de baixas que “corrigiram” as disparadas de julho e do início deste mês – levou os contratos futuros de segunda posição a acumularem ganhos de 24,1% em 2010, de acordo com cálculos do Valor Data.
Para traders de Chicago consultados pela agência Dow Jones Newswires, a alta de ontem foi outra “correção”, já que os contratos chegaram a perder US$ 2 por bushel após atingirem máximas em dois anos. Sobrou a sensação de que, apesar de o clima na Rússia ter dado claros sinais de melhora, nem todas as incertezas do mercado se dissiparam.
Na visão dos traders, prova disso é o fortalecimento da demanda externa pelo trigo produzido nos Estados Unidos. Ontem foi a vez do Egito, outro grande importador, encomendar mais um carregamento. Daí o interesse argentino.
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