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(POR EDUARDO SCIARRA)
O monopólio legal do petróleo e gás foi extinto em 1997. Esta mudança estrutural permitiu a expansão da pesquisa e prospecção e da extração de petróleo e gás. A grande maioria dos investimentos privados ocorreu em associação com a própria Petrobras. A descoberta do Pré-sal só foi possível porque contou com recursos financeiros, humanos e tecnologia de empresas privadas que se somaram à experiência e conhecimento técnico da própria Petrobras.
A maior beneficiária do fim do monopólio legal foi a própria Petrobras e, por extensão, o Brasil, que, além de criar competência nacional, entrou no mapa de investimentos da indústria petrolífera internacional.
O tamanho da Petrobras, que se tornou orgulho dos brasileiros, e seu peso no mercado de petróleo e gás inviabilizam o surgimento de concorrentes verdadeiros. O monopólio, embora legalmente extinto, de fato mantém-se, especialmente no setor do gás. Toda a infraestrutura de transporte de gás natural pertence à Petrobras. Mesmo a importação dela depende, pois os terminais de gaseificação estão sob seu controle. Ao final, os consumidores não têm alternativa.
Neste contexto, a Petrobras não deixa de exercer de fato o seu poder de monopólio. Isto vem ocorrendo nos leilões de energia. Os que conseguiram se habilitar concorrem em disparidade de condições com a termelétrica da Petrobras, pois, tiveram que adquirir o gás a preços mais elevados, além de sofrerem restrições operacionais. Ademais, foram forçados a aceitar cláusulas de leve-ou-pague (taker-or-pay) de 30% a 70%.
Ao final das contas, o grande prejudicado é o Brasil, que já está entre os países que mais caro paga pelo gás natural, com impactos em cascata sobre todo o setor produtivo nacional. Não é por outra razão, que assistimos a crescente desindustrialização no Brasil devida à incapacidade de nossa indústria de concorrer com produtos estrangeiros, especialmente os chineses e asiáticos em geral.
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