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Comentário do deputado Sciarra:
“Não é tolerável que as instituições de Estado ajam em favor de partidos ou facções políticas. Estão a serviço do País e não dos Partidos ou de governos.”
Deu na Folha de S. Paulo (22/10/10)
PF realiza investigação de conveniência
JOSIAS DE SOUZA
Órgão se submete a interesses do PT ao afirmar não ter sido comprovado o uso de dados fiscais em campanha
“INVESTIGADORES”, GOVERNO E PARTIDO NEGLIGENCIAM HIPÓTESE QUE ACOMODA CASO NO COMITÊ DE DILMA
Na condução de um inquérito policial, o investigador precisa raciocinar com hipóteses. Desde as mais amplas até as mais específicas.
No Fiscogate, o campo para a escolha de hipóteses é vasto, já que ninguém sabe aonde quer chegar a Polícia Federal de Lula.
Ao “investigar” a violação fiscal de pessoas ligadas ao tucano José Serra, a PF reuniu indícios relevantes.
Na melhor das hipóteses, a encrenca estaria elucidada. Na pior das hipóteses, não. Tomada pela fala de seu diretor-geral, a PF agarrou-se à primeira alternativa.
“Não foi comprovada utilização [dos dados fiscais] em campanha política”, disse Luiz Fernando Corrêa.
Com essa frase, o manda-chuva da PF revelou-se um delegado precário. Submete o trabalho de sua corporação às conveniências do comitê petista de Dilma Rousseff.
Chama-se Amaury Ribeiro Jr. o pivô do inquérito da PF. Descobriu-se que ele encomendou dados fiscais. Coisa de outubro de 2009.
O PT vendeu a tese de que Amaury, em depoimento, dissera ter agido para “proteger” Aécio Neves de Serra. Hoje sabe-se que não há menção a Aécio no inquérito.
Mas a PF, o PT e Lula decretaram: os sigilos foram violados em meio a uma disputa de Aécio e Serra. Mediam forças pela vaga de presidenciável do PSDB.
Agarrados à hipótese específica, “investigadores”, governo e partido negligenciam a mais ampla, que evolui para 2010 e acomoda o caso no comitê de Dilma.
Amaury Ribeiro Jr. tomou parte de reuniões de um “grupo de inteligência” da pré-campanha da pupila de Lula. Mas isso não parece interessar à PF.
Ao ser inquirido, Amaury disse que Rui Falcão (PT-SP), personagem da campanha de Dilma, roubou informações de seu laptop. A PF dá de ombros.
Amaury insinua que os dados surrupiados de seu computador foram convertidos em dossiê. Não deu queixa à polícia. Faltou-lhe nexo.
Para o governo, Amaury só merece ser ouvido nos trechos em que fala de Aécio. Os pedaços do inquérito que remetem ao comitê não merecem existir.
O que a PF faz em reação às pressões do governo e do PT é o que deixa de fazer por convicção, compromisso com a verdade ou precaução.
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