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Comentário do deputado Sciarra:
“Até hoje Lula não disse uma só palavra nem fez um gesto sequer em favor destes brasileiros. Apenas faz doações bilionárias ao Paraguai (só que a revisão do Tratado de Itaipu e linha de transmissão a Assunção, são quase 6 bilhões de reais), além de usar o Aerolula para cuidar da saúde do Lugo. Enquanto isto os brasiguaios, que contribuiram para o Paraguai se tornar grande exportador mundial de soja, são ameaçados e roubados.”
Deu na Gazeta do Povo (10/08/10)
Polícia evita conflito no Paraguai
Agricultores brasileiros dizem sofrer ameaças de sem-terra paraguaios. Policiais intervêm para coibir confronto
Foz do Iguaçu – A tensão entre brasiguaios e campesinos paraguaios levou a polícia do Paraguai a cercar uma fazenda na manhã de ontem no distrito de San Rafael del Paraná, departamento (estado) de Itapúa, a 110 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu. Acompanhados do promotor Alfredo Baez, dez agentes armados do Grupo de Operações Especiais da polícia do Paraguai fizeram um cordão de segurança para que empregados da fazenda pudessem trabalhar.
A propriedade pertence a imigrantes brasileiros radicados há 33 anos no Paraguai. Os brasiguaios conseguiram licença ambiental para remover árvores velhas de uma área de 240 hectares após uma vistoria feita pelo governo. No entanto, um grupo de sem-terra, acampado há nove anos às margens de uma rodovia vizinha à propriedade, impede os funcionários de trabalhar e os ameaça de morte. Os campesinos alegam que o título da terra é irregular. “Eles [sem-terra] me ameaçaram de morte e falaram que a terra é deles e dos filhos deles”, conta o tratorista Romildo Rafael, 36 anos. Ele diz que recentemente foi agredido pelos sem-terra quando tentava trabalhar no local. O administrador da área, Ademir Rickli, diz que o conflito com os campesinos arrasta-se há nove anos.
Ao notarem a presença da polícia, os campesinos ficaram apreensivos e armaram-se com paus e facões. O líder do grupo, Nicolas Rivero, 28 anos, reivindica o cumprimento da lei. Ele diz que o título da terra é ilegal porque no documento consta que a propriedade pertence a outro departamento (estado) do Paraguai, Caazapá. Ele acusa instituições do estado de estarem sujeitas a manipulações para beneficiar os brasileiros. “O que fazemos é reivindicar um pedaço de terra”, diz.
Conflitos entre imigrantes brasileiros e campesinos brotam no interior do Paraguai. Parte do problema deve-se à venda irregular de terra na década de 70. Muitos agricultores brasileiros passam por uma situação complicada no país vizinho porque compraram terras de assentados paraguaios que ainda pertenciam ao estado. Ao perceber isso, o movimento campesino passou a reivindicar as terras, comercializadas ilegalmente.
O consulado brasileiro no Paraguai deu início ao quarto mutirão do ano para regularizar a situação de brasiguaios que vivem no país vizinho. O trabalho, feito em conjunto entre Polícia Federal do Brasil, Polícia Nacional do Paraguai e autoridades de migração do Paraguai, visa emitir com mais rapidez documentos para os imigrantes. Desde sexta-feira o mutirão está na cidade de Santa Rita, a 70 quilômetros da fronteira com Foz.
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