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Senhor Presidente,
Senhoras Deputadas, Senhores Deputados,
O que se temia, aconteceu. O governo petista desta vez ousou mais e ultrapassou todos os limites. Além de “ocupar” politicamente a administração direta, as empresas estatais e entidades públicas, o governo resolveu abocanhar até empresas privadas, nas quais ele tem participação acionária. O alvo da vez é a Vale. O próprio Ministro da Fazenda, aquele mesmo que patrocinou a gastança no governo Lula e ajudou a “liberar” o dragão da inflação, usou todo o poder de “convencimento” do governo e na prática obrigou a troca do Presidente do Vale, Dr. Roger Agnelli.
É um triste episódio que mancha indelevelmente este início do governo Dilma e é um divisor de águas na própria concepção do papel do estado na economia brasileira. O governo rasga a “Carta ao Povo Brasileiro”, pela qual se comprometia, na prática, a não implementar o programa do PT (ruptura com o sistema financeiro internacional, fora FMI, calote na dívida externa, etc) e que possibilitou o apoio do empresariado e da classe média ao governo Lula e Dilma. Com a tentativa de reestatizar a Vale, o PT tenta fazer um retorno extemporâneo ao seu programa partidário.
A indignação e o assombro tomam conta daqueles brasileiros que, para além de qualquer ideologia ou posição política, querem o bem maior do nosso País. A Vale fez crescer a confiança na capacidade empresarial brasileira e tornou-se o símbolo de sua competência, uma referência em todo mundo.
De fato, sob qualquer medida, os números da Vale são impactantes: o seu faturamento passou de R$8,8 bilhões, no ano 2000 para R$ 70,5 bilhões em 208. O lucro saiu de R$ 2,1 bilhões para R$ 21,3 bilhões. Os números de investimento são gigantescos, cresceu 18 vezes de 1997 a 2010. A criação de empregos também impressiona. Antes da privatização a Vale empregava 11.000 pessoas, hoje são cerca de 70 mil postos de trabalho. Até 1997 recolhia R$31 milhões em impostos aos cofres públicos, de 2001 a 2010 a média anual foi de R$ 2,325 bilhões. Sem sua contribuição, a balança comercial brasileira estaria deficitária. As exportações da Vale saltaram de US1,1 bilhão em 1996 para US 24,0 bilhões em 2010.
Com tal desempenho, o que leva o governo a fazer tal truculência contra a Vale, a afrontar as normas do mercado, a desrespeitar os acionistas minoritários e a colocar em risco a sua própria credibilidade?
Não podem ser alegadas razões econômico-financeiras, administrativas, de falta de transparência e muito menos carência de sintonia com as políticas sociais do País. Ora, se não existem razões desta ordem, resta-nos a concluir que os motivos reais são tanto de natureza ideológica, pois o PT nunca suportou o sucesso da Vale, que, por contraposição, se tornou o símbolo da incompetência do estado-empresário, quanto o próprio poder inerente ao comando da segunda maior empresa de mineração do mundo.
A comparação do desempenho da Vale com as empresas estatais como os Correios, a Infraero, os portos tornou-se inevitável. Mas, o temor maior dos petistas é a comparação com a Petrobras, uma empresa de porte assemelhado. A Petrobras foi fatiada entre partidos e grupelhos políticos, com nomeações partidárias para cargos técnicos. Investimentos multimilionários foram condicionados a decisões políticas, como é o caso da associação com a PDVSA venezuelana na construção da refinaria no Nordeste. A Vale, após a privatização, conseguiu se livrar do fisiologismo e tornou-se referência de competência, de transparência e gestão de resultados.
O próprio sucesso da Vale e os números grandiosos que apresenta aguçou o apetite e a voracidade de diversos setores do PT e seus aliados.
Após o fato consumado, todos os brasileiros, especialmente os milhares que adquiriram as ações da Vale, estão apreensivos, pois, o que vem à lembrança é a forma de atuação predatória do governo na Petrobrás e nas outras empresas estatais. Para o bem do Brasil é preciso que a nova administração da Vale consiga resistir bravamente às investidas do governo que certamente virão.
Deputado EDUARDO SCIARRA
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Jornal Folha de S. Paulo (25/03/2010) GOVERNO DÁ STATUS DE MINISTÉRIO PARA 4 SECRETARIAS A alteração, segundo o governo, dará mais autonomia para as secretarias (Direitos Humanos, Igualdade Racial, Políticas para ...
O primeiro parlamentar do Paraná Ficha Limpa.
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