Revisão do tratado de Itaipu ainda depende do Congresso

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quinta-feira, 29 julho, 2010
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Enquanto o governo Lula alega falta de recursos para refutar medidas que poderiam trazer maior bem estar aos brasileiros, o discurso encampado do outro lado das fronteiras sugere outra situação.

Uma declaração do chanceler do Paraguai, Héctor Lacognata, a respeito da tentativa do presidente Lula de rever o Tratado de Itaipú, triplicando o valor da energia excedente vendida ao Brasil pelo país vizinho, indica que a mudança é tratada como certa pelos envolvidos. “Nós continuamos muito firmemente em nosso cronograma de trabalho em relação a Itaipu. Vamos avançando de acordo com os tempos que tínhamos estimados”, afirmou Lacognata em entrevista à imprensa paraguaia nesta terça-feira.

Para o deputado federal Eduardo Sciarra (DEM/PR) o excesso de confiança do chanceler paraguaio é precipitado. “Este assunto ainda terá que passar pelo Congresso Nacional, que vem discutindo a situação e não vê com bons olhos a revisão do tratado”, diz. Na opinião do democrata, trata-se de um contra-senso destinar recursos bilionários ao Paraguai enquanto o Brasil tem grandes carências em diversas áreas. “Todo e qualquer esforço para tirar as pessoas da miséria, melhorar os investimentos em saúde e infraestrutura é necessário. O Brasil não está em condições de fazer uma cortesia desta monta”, afirma o parlamentar.

O pacote de bondades que inclui a revisão do tratado de Itaipu destinará ao Paraguai, até 2023, data em que o país seria dono de metade da usina, R$ 6 bilhões sem nenhuma contrapartida do país vizinho. “Benefício sem contrapartida é um equívoco. No afã de fazer média com os países vizinhos, o presidente Lula prejudica a população brasileira”, avalia Sciarra.

Na próxima sexta-feira (30) Lula vai ao Paraguai pregar sua promessa em relação a Itaipu e dar início à construção de uma linha de transmissão entre a usina e a capital paraguaia. “Lula vende ilusões até no Paraguai”, lamenta Sciarra. Para o parlamentar, outras formas de ajuda ao país vizinho seriam mais eficientes e equilibradas do que esta. “Poderíamos utilizar esses recursos, para colocar mais dinheiro no orçamento da União para que o BNDES possa financiar obras de infraestrutura no Paraguai, que poderiam ser executadas por empresas brasileiras. Ou utilizar esses recursos na área de sanidade animal para o combate à febre aftosa, que contamina os rebanhos nas divisas com o Mato Grosso do Sul e o Paraná. Poderíamos utilizar a Embrapa para apoiar a pesquisa agropecuária no Paraguai, e também utilizar estes recursos para ampliar a segurança na área de fronteira em ações de combate ao narcotráfico”, ressaltou o deputado.



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